nove anos depois do texto que inaugura o blog
eu continuo raciocinando prometeu
desvendando (ou tentando)
o que o fez roubar o fogo
depois de tanta bobagem escrita
tantos textos mal-lidos
reinterpretados e mixados em mim
-- como se nada fossem --
passo a entender alguma coisa
a idade nos faz perder o lirismo
e passamos a escrever bilhetes métricos
desabafos nunca ditos
indiretas escandalosas
e conversas vazadas
apesar de toda essa secura
eu insisto nesse vício-poesia
debulhando teclas
curvando a coluna
e fazendo todo o esforço do mundo
para fazer sentido
isso a inteligência artificial nunca saberá:
entender os meus problemas
comover-se com eles
ou mesmo funcionar sem energia
(esse fogo será meu eternamente
mas isso não faz tanto sentido)
hoje entendi meu professor alemão:
mais difícil do que escrever poesia
é não escrever